Entre e fique à vontade!

Este espaço virtual não tem um objetivo específico, mas um ponto de partida. A ideia é reunir o maior número de informações sobre a Saúde Mental e suas ações políticas, sociais, econômicas e culturais do país, do estado e do município e de se formar um canal de comunicação da "Associação Maluco Beleza". Além disso, grandioso como sempre podem ser os nossos sonhos, ele se propõe um lugar de (re)descoberta, (re)encontro e trocas infinitas. Num movimento coletivo e genuíno de fortalecimento de pessoas. Movimento este, circular. Então venha e participe de uma alegre brincadeira de roda, uma boa roda de conversa, uma linda mandala e tudo aquilo que se quiser criar!
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Despedida...

Clima de despedida no CAPS Domingos Stamato, uma profissional se vai, ao encontro de novos desafios e homenageia equipe através de um poema:
Equipe, por que és
Equipe, é que eu quis
Ficar.
Em muitas andanças
Encontrei e espero ainda
Encontrar
Esta mistura de gente
Que sabe Sancho Pançar
Tem escudeiro argentino,
Tem escudeiro do mar
Tem até gente do rancho
E porque não de AndaLuzia
Além da Bahia,
Guarujá e
Ilha Porchat.
Tantas Sandras,
tantas Fernandas,
cujo gozo é
tornar leve o caminhar...
tantas Claúdias, Cássias e
prá não te esquecer Luíza
(que sou apenas um pobre amador)
Tantos Andrés, e Haydns (como é que fala?)
Tantos Júlios ouriçados...
Fico, porém na lembrança
No desejo de contracenar
Mais uma vez com artistas
Da delicada Arte de cuidar.

Na Oficina da Palavra, usuários compõem texto coletivo... é a Festa das Palavras, como disse Luís Fernando.


.


sábado, 8 de janeiro de 2011

Prá deixar 2011 mais doce...

A Associação Maluco Beleza recebeu uma doação de 8 cestas com chocolates e 30 caixinhas de bonbons finos da empresa KAKAOBONNE para a festa de fim de ano do CAPS Domingos Stamato. As gostosuras foram distribuídas entre os usuários do CAPS, uma cesta será rifada para arrecadação de dinheiro, 3 cestas foram entregues respectivamente para Fátima Reis, Geraldo Peixoto e Dulce Santos, como uma homenagem a três militantes incansáveis e membros sempre presentes às reuniões da Associação e as demais cestas, sorteadas entre os usuários do serviço.
A Maluco Beleza agradece a atenção e disponibilidade da KAKAOBONNE em colaborar com a festa do CAPS II Domingos Stamato e contribuir para um início de ano mais doce...
Confiram as fotos!!



















sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O ABSURDO DE VIVER (Camus)

A jornalista do Estadão, Fabiane Leite, fez uma bela homenagem com seu texto "Carta de um pai que não internou seu filho", sobre a complexa e intensa relação pai-filho e mesclando jornalismo com o emocionado relato de Geraldo, feito por email, quando do falecimento do André.
Um mês depois, Geraldo escreve novo email (que tomo a liberdade de postá-lo) e nos faz refletir muito sobre a vida, a morte e nós. Gostaria de ter tempo para responder ao André, se ele me perguntasse: "A vida é eterna, não é?" "É sim! É sim!". Na ausência desse diálogo, deixo uma música dos Beatles que tenta traduzir tantos sentimentos...(*)

"Foi uma angústia a vida toda do André. Era um mal-estar, um desassossego, sempre presente em sua vida. A morte para ele, foi a libertação. Para mim, é difícil falar disso. Sinto muito a sua falta. Sinto que não consegui amenizar sua dor existencial. A morte seria o caminho inexorável, para que encontrasse paz. Apesar de sua angústia ele viveu a vida, na mais profunda acepção do que se possa entender o que seja estar vivo e, em total liberdade. Estou me referindo à liberdade, no seu sentido filosófico. Apesar de sua angústia, ele foi livre, absolutamente livre. Só agora compreendo o que é ser livre – aprendi com ele. Não falo aqui, nem em crenças, nem de metafísica, nada disso... Afinal, a vida merece ou não, ser vivida? Esta foi a questão principal, para Camus, assim como, para André. Não foi um suicídio, mas, foi uma saída para sua angústia. Quem poderá dizer que o suicídio, algum dia, não viria a acontecer? “Viver sofrendo é inútil!” André nunca teve clareza de que a vida é um absurdo! Não percebia que empurrava uma pedra morro acima, mas que, quando acreditava ter conseguido alcançar a sua meta, a pedra rolava, morro abaixo (a metáfora da crise), conforme o mito de Sísifo, que recebeu de Zeus como castigo, empurrar uma grande pedra morro acima, eternamente. Por suas paixões e seus desesperos, a vida dele, me parecia um absurdo, o qual tentei contornar, através de conselhos, companhia, amor, psiquiatria, medicação, meditação, etc. Para ele, tudo parecia impossível. A vida é mais forte que a doença, porém, eles não têm consciência disso. Sabem, mas não conseguem expressar o horror que sentem, o absurdo que é viver uma crise psicótica. Nada, nem médicos, nem psicólogos, nem psicanalistas, nem pais-de-santo, ninguém mesmo, conseguiria amenizar esse absurdo que é a vida, vivida por um psicótico. Ver e constatar meu filho morto na minha frente, foi o absurdo dos absurdos, total, irretorquível e definitivo. Psicose e absurdo, não sei se me faço entender... Vivi esta situação limite, do absurdo da psicose, sendo mostrado bem diante de mim. Presenciei-o de frente. Encarei-o. Nada mais poderá ser absurdo para mim. Ele desejava respostas para o significado da vida. Não as obteve nunca. Em nossas conversas, sempre dizia: - “A vida é eterna, não é pai?”. Essa foi a sua grande ilusão. Por isso sua vida, até a sua morte, foi um absurdo! No meu entender, acredito que, para ele, a vida valia a pena ser vivida, apesar de termos conversado algumas vezes, sobre suicídio e, de um dia tê-lo tirado, já com o pé no parapeito de uma janela de um oitavo andar e, em outro momento, encontrá-lo desmaiado, depois de ter ingerido uma caixa inteira de um dos seus medicamentos. Ele viveu em estado de extrema angústia e solidão, questionando o mundo à sua volta sem encontrar respostas, num estado de estranheza, mergulhado em um mundo fictício, criado sobre os alicerces de suas alucinações. As questões da existência humana sempre o fascinaram muito. Percebo, somente agora, quantas questões relevantes ele abordou comigo sem que eu me desse conta da sua importância, ou que, mesmo percebendo, não saberia como respondê-las. Achava que teríamos muito tempo, todo o tempo do mundo. Achava que teríamos a vida toda para conversar...

“A vida é eterna, não é pai?” era a sua pergunta e, ao mesmo tempo... sua afirmação.

Este é um momento, um desabafo. Tenho outras lembranças, lindas, alegres, divertidas, carinhosas, amorosas, cheias de ternura. Ríamos muito, gargalhávamos, até. Foi uma linda companhia, essa. Foi um ente iluminado, um ente encantado, com quem aprendi muito...

Faz um mês! A dor, o espanto e a lembrança continuam presentes.

Geraldo

(e Dulce)"

(*)

domingo, 8 de agosto de 2010

O FAMILIAR É UM EQUILIBRISTA

São Vicente, 02/08/2010

Muitas vezes, existe uma insustentável leveza do familiar, poderíamos dizer até, insustentável leveza do ser - humano. É muito sutil essa relação e, quem não a vive, não sabe. É tênue, é desfocada, não tem um ponto fixo, é como se andar à noite, às apalpadelas, numa casa sem luz. O familiar precisa ser um equilibrista “caía a tarde feito um viaduto/ e um bêbado trajando luto/me lembrou Carlitos”. Como nos equilibrar? Porque, sempre estamos em desequilíbrio. O equilibrista assume um risco calculado, assim, se o arame balançar, o equilibrista tem que assimilar o balanço. O arame e o equilibrista têm que se tornar um só, numa simbiose. Nosso dia-a-dia tem muito a haver com o equilibrista, com o equilíbrio e com o equilibrismo “a esperança dança/na corda-bamba de sobrinha” e, quem nunca andou no arame da doença mental, jamais conhecerá essa experiência única. Fica óbvio que o arame e a doença mental são uma única coisa, assim como, o equilibrista é o familiar, e este, estará sempre, à mercê do arame. Precisamos sempre ter uma rede, pois, é arriscado “e em cada passo dessa linha/pode se machucar”, extremamente arriscado. A rede é da maior importância. Acreditamos em nossas habilidades como equilibristas, mas, se pisarmos em falso, não nos esborracharemos no chão, pois temos que confiar que, existe uma rede de proteção “a esperança equilibrista/ sabe que o show de todo artista/tem que continuar”...

Geraldo e Dulce

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago

Pensar, pensar
Por Fundação José Saramago

"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma."
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

José Saramago (1922-18/06/10) era escritor e foi ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.
Buscando algo para se fazer uma pequena homenagem, um belo curta-metragem foi encontrado. E desses mistérios inexplicáveis que fazem parte da vida, o conto infantil de Saramago é quase uma metáfora da "Maluco Beleza". Nada mais precisa ser dito. Agora é ver e pensar, pensar...